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Conheci Dj Nyack na gravação do novo programa de TV que estou fazendo – conto mais sobre o programa em breve –  e caímos num papo sobre música…assunto vai, assunto vem e ele conta que outra noite, numa festa que faz às 4afeiras no Sarajevo – a Discopédia –  encerrou seu set com um bom pagode tocado no vinil.

Começamos a conversar sobre pagode e o quanto essas músicas estão impregnadas no inconsciente, que muitas vezes a gente não faz idéia da música ou do autor, mas todo mundo sai cantando junto. Nas palavras dele “todo mundo tinha pelo menos cinco músicas que sabia cantar”. Esse foi um dos motivos para fazer seu primeiro mixtape de pagode, o PagoTape, que ele gravou em dezembro de 2010 (não consegui achar, posta ela de novo, Nyack!), e a inspiração foi justamente a nostalgia da adolescência. A memória afetiva que o ritmo traz – ele cresceu nos anos 90, época em que o pagode era onipresente nas rádios, tvs e em qualquer mídia nacional – é grande: “ao ouvir você lembra até das vinhetas da rádio que os caras soltavam em cima da música”.

A primeira PagoTape fez tanto sucesso que chegou a ser postada no Twitter do Netinho e do Péricles.

Dois anos depois ele se animou a fazer uma segunda PagoTape (amo o nome), postada em 30 de abril . As músicas são todas mixadas (aê DJ!), e já que tem muita gente emocionada com a participação do Raça Negra amanhã na Virada Cultural, sugiro um play no mix abaixo pro esquenta

 

UPDATE: atendendo a insistência dessa que vos escreve, Nyack mandou o link da primeira PagoTape! Sensacional!

obrigada internê

 

sou fã de carteirinha da Red Bull Music Academy, a escola para djs, produtores e cantores que trabalhem com música eletrônica em qualquer vertente. Há mais de dez anos a marca mantém a Academia itinerante que já esteve em  SP, Melbourne, Seattle, Madrid e a cidade ganha por tabela, durante o mês que a RBMA acontece, um calendário especial de festas, shows, documentários e eventos muito bacanas.

Grandes produtores e artistas apresentam palestras e alguns chegam a trabalhar com os “alunos”. Esses, vindos de diferentes pontos do mundo, ganham hospedagem e alimentação além de passar parte do dia imersos em estúdios, tocando em gigs, produzindo música.

O documentário sobre os doze anos do selo DFA foi produzido pela RBMA desse ano, que está hospedada em NY e acontece até o fim de maio. Hoje tem festa com o Four Tet tocando. Alguém invente o teletransporte, por favor.

Streaming de REWORK_ Philip Glass remixed, trabalho celebrando os 75 anos do músico. São 12 faixas trabalhadas por Beck, Dan Deacon, Johan Johansson, Amon Tobin, Cornelius entre outros.

O Táxi Amarelo de Gisela Gueiros, cheio de estórias boas porque, como ela diz, “a gente sempre quer voltar pra NY”.

Um infográfico localizando os 70 anos de arte que deram origem ao grafite

Grande descoberta: Strictly Cassete

 

Imagens de fitas cassete e boombox. E muito mais. Um pouco da história do rap e do hip hop através das fitinhas que traziam albuns completos, singles e maxis.

Eram uma forma forte de identificação e fortalecimento da cultura, como Raekow conta aqui sobre sua “Purple Tape“.

 

 

O aúdio original não fica disponível (ou não achei) mas dá para ouvir algumas delas  na seção de artigos.

Entrevistas com colecionadores, histórias do hip hop e o que as fitinhas representavam para a cultura naquele momento, como essa entrevista com Guru quando a fita demo dele, ainda usando o nome de Justin Nicholas-Elam Ruff, foi descoberta . A seção Rewinding vale um artigo por dia: entrevistas com nomes grandes da cena old school e sua relação com o k7. O mix disponível no papo com DJ Fakts One dá para ficar no repeat eterno.

 

 

Da galeria com a arte completa das fitinhas, vale parar horas pra contemplar as do De La Soul

imagens e estórias que separei:

 encontrei essa no board Ateism, do Pinterest de uma gringa.

- perguntas que os filmes deixaram em aberto (como o que raios significa o fim de “2001″ e que horas se deve alimentar um Gremlin) respondidas aqui, via Ana Maria Bahiana

 um tumblr com as fotos de “crianças ricas do instagram” via Dafne Sampaio 

- Por que as mulheres ainda não podem ter tudo, artigo publicado no The Atlantic  ”it’s time to stop fooling ourselves, says a woman who left a position of power: the women who have managed to be both mothers and top professionals are superhuman, rich, or self-employed. If we truly believe in equal opportunity for all women, here’s what has to change.” via Dani Cury

- O Hacker que roubou a conta do jornalista da Wired, via Gustavo Mini

set de hip hop do DJ Primo (já falecido) junto com Dubstrong. Aumenta o som:

 

“It’s nice to know that you’re still relevant after a long time”. Não acreditei quando o Gênio falou isso. ”Depois de fazer dois shows com ingressos esgotados, você sai do palco e chega no backstage e quer voltar. Não quero parar, quero voltar ao palco, quero versar, então abaixa a luz…” e começou a improvisar. Achei que fosse chorar. GZA, The Genius, nasceu Gary Grice no Brooklin, NY, EUA em 66. Um dos fundadores do Wu-Tang Clan, é um dos melhores letristas e MCs do rap americano.

Naquela noite de 5afeira, o Brooklin fervia hip hop: Kool Keith discotecava a poucas quadras de uma casa de show onde, em dois shows seguidos e lotados, GZA apresentou, acompanhado do Grupo Fantasma,  ”Liquid Sword”, clássico disco de 95.

O público estava ansioso, rednecks do Queens, hypsters do Brooklin, hoodies de Manhattan, e nós (uma amiga e eu). Ela não é muito do rap mas já era local, viu camisetas penduradas na grade em frente ao show e falou “ó lá, é para pegar”. Eu esperei dez longos minutos para pegar a minha, procurando o ambulante, que, claro, não estava lá.

No show GZA enfileirou o Liquid Sword, homenageou Old Dirty Bastard cantando Shimmy Shimmy Ya (“tinha um camarada nosso que gostava de tudo e muito, se o assunto era mulher, ele ia da Brazilian Wax a Sandpaper Pussy…), chamou Raekwon ao palco para fazer músicas do Wu Tang Clan.

Pra quem estiver de viagem marcada para aquelas bandas, recomendo aquela olhada básica no site do Music Hall of Williamsburg, só coisa fina.

> do aúdio dos vídeos no meu canal do youtube, bem, entenda, fã que é fã tem que colar na caixa de som.

Estréia hoje, no Multishow HD, a série Music Trends com foco na música que está sendo produzida hoje e que promete estourar no próximo ano. Junto com Marcelo “Scream & Yell” Costa, Lucio “Popload” Ribeiro, Flávia “TPM e TRIP” Durante e Pablo “Rolling Stone” Myazawa mais outras pessoas bacanas, fui convidada para conversar sobre músicos e músicas que refletem estados de espírito que traduzem o gosto muita gente.

A série rendeu 4 episódios, que  Marcelo deu a ficha completa aqui. O primeiro episódio é ” Time Off ” com artistas que buscam no passado a referência para compor hoje. Os horários de exibição são as 20:00 – 00:00 – 03:00.

Uma pequena de cabelos cacheados e tutu de bailarina chama atenção na sala de embarque do vôo SP-NY. Linda, ela desenha e sorri. Quando reparei na mãe ao lado dela, era Céu.

Papo vai, papo vem, ela começando uma turnê bacana, 23 dias por 13 cidades nos EUA. Viajando de busão, estrada e música. ”Você quer ir ao show?”

Domingo dia 10, abertura do Blue Note Jazz Festival no Highline Ballroom , casa de shows ao lado do novo parque da cidade, High Line, inaugurado em 2009 e construído em cima da linha do trem.

Curumin abriu os trabalhos naquela noite, e o fará em toda a turnê, esquentando a pista que enchia progressivamente, alguns já arriscavam até uma mexida de ombros. Dançar não é coisa de gringo.

Antes de Céu entrar no palco o lugar estava cheio de americanos, japoneses, latinos e claro, brasileiros.

Foi grande sorte assistir aqui ao show de ”Caravana Sereia Bloom“, seu terceiro disco recém-lançado. Jogar fora de casa exige do time, e ela não se intimidou com isso. Ao contrário, estava à vontade no palco e no inglês, contando estórias do disco e de sua ligação com a cidade. Foi quando morou em NY que tomou coragem para começar a compor.

 

Céu convida o público a percorrer uma jornada ao ouvir o repertório do disco. Ela é dona do palco e da platéia, mas é também uma artista generosa que oferece uma tremenda experiência. Céu entrega e envolve o público em um turbilhão de voz corpo e alma, tudo misturado saindo da garganta, que hora é usada para atingir uma nota alta, hora apenas para soltar um suspiro. Aliás, que suspiro, um dos grandes momentos do show, daqueles que parecem que o tempo parou.

Quando Céu trouxe “Piel Canela”, música de Eydie Gorme & Trio Los Panchos, ela parou num momento da música e deixou a platéia estatelada, de queixo caído. Nessa hora chamou a atenção para o backing vocal a la Panchos que a banda fazia. Lucas Martins no baixo, Bruno Buarque na bateria, Dustan Gallas na guitarra e Dj Marco na MPC e nas pick ups. Lucas e Dustan, além de backing, brincam na bateria com Bruno quando voltam para o bis. Um time entrosado no palco ajuda na hora do gol.

 


O repertório do show é composto pelas músicas de “Caravana…”, acompanhadas por “Cangote”, do segundo album, “Vagarosa”, em versão demi-eletro-forró. “Malemolência”, “Ave Cruz” e “Lenda”, do primeiro disco homônimo, também aparecem de cara nova. E ao trazer ao palco “É preciso dar um jeito meu amigo”, cover de Erasmo Carlos, ela conta bonito sua estória com a música.

 

 

Acompanhar o amadurecimento da cantora Céu é um privilégio.

Ele é brasileiro como dizem, e ela, nossa.

 

Infos:

Céu

Próximas datas dela nos EUA/Upcoming concerts in USA

Highline Ballroom

Blue Note Jazz Festival

@nilda

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