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festa que aconteceu em “June 12, 1971 at Klein’s”.

John Lennon e Miles Davis convidados.

Um fusca, Yoko, Betty, tabela de basquete (vinte e um) aos 5’13″.

Tem um tal de Warhol dando pinta no vídeo também.

Super 8 tosca e linda.

 

(we all shine all.)

Mais vídeos bacanas para a 2afeira:

- The Doors, ao vivo em 1970

- Red Hot tocando Donna Summer

” – você vai na Virada?

- Ah, eu não consigo, acho que é corroborar com essa prefeitura e esse governo que são toscos, que largaram a cidade. É comprar o discurso deles de que tudo está bem quando na verdade não está. Fora que eles exploram ao máximo quem trabalha, ouvi dizer inclusive que segurança e limpeza tem que trabalhar um turno de 24hs direto…. “

e foi com essa conversa com uma amiga na última 5afeira que comecei a pensar em não virar esse ano.

Gosto de festa na rua mas esse ano estava especialmente preguiçosa. Acabou que a virada começou na varanda de casa.

A amiga foi visionária e acertou sobre a prefeitura apresentar uma situação que não sustenta. Fazer festa sem organizá-la direito dá pau seja no salão do prédio ou no centro da cidade. O problema não é xixi na rua ou gente bêbada, porque festa de rua aqui, em Paris ou em qualquer lugar acontece a mesma coisa. O problema é não dar estrutura para quem trabalha ou quem curte o evento.

Acordei no domingo e mesmo com a estória da galinha depenada  - e eu que só queria saber da sopa de cebola do Jacquin, fiquei sem notícias – juntei-me a uma turma para tentar nas barraquinhas de chefs no Minhocão e quem sabe assistir alguma coisa. A parte gastronômica foi, em todos os horários, a melhor idéia mal realizada do evento.

Primeiro porque o acesso ao local dificulta o abastecimento das barracas. Depois porque o espaço é pequeno o que promove a concentração, os esbarrões, as filas e o tamanho reduzido das barracas. E terceiro, depois do Mercado, ficou claro que além de comida de rua ser um amor do paulistano, eventos com boa comida e preços camaradas atraem muito público.

Tenho que isso reflete também a falta de paciência e verba pra custear almoço de muitos reais todo dia, ninguém mais aguenta pagar caro sempre que quer comer. Mas voltemos a festa…

Lotação, filas e sushi no sol fizeram a gente fugir e cair pro Sujinho da Rio Branco. O caminho era composto por bons ecos de shows que aconteciam no horário. A deprê pela cidade largada e pela Rua dos Gusmões e Guaianeses e seus mortos vivos continua, mas acho interessante sempre essa convivência.

Depois de uma farta refeição no Sujinho da Rio Branco, que agora aceita cartões (!!!), seguimos em direção a Julio Prestes. Na 6afeira já sabia que nem Toots & Maytals nem Abyssinians se apresentariam e que chamaram o Rockers Control + Dubversão para tocar no lugar.

Foi delícia. No caminho o sol esquentava e prometia um belo fim de tarde. Chegar na Julio Prestes e sentir o clima “in a dubwise style” fizeram-me pensar na sorte da prefeitura em governar essa cidade. O sorriso das pessoas, crianças correndo, gente dançando, pastel e caldo de cana, a pelada acontecendo na área que se formou da ex-cracolândia demolida faziam acreditar numa cidade possível.

Brother Culture, MC inglês e parte da família RC , teve sua passagem emitida na 5afeira, voou sábado depois de se apresentar em Londres na 6afeira, chegou domingo de manhã, foi pra rua se juntar ao Dubversão e a tarde on stage de novo pro Rockers. Saúde e disposição musical a gente vê por aqui.

Ficamos ali até Gil encerrar a festa. Show delicioso com seus clássicos (Realce, Palco, Andar com Fé), ele de crooner de Bob Marley (No Woman no Cry e Is This Love) e forrós de Jackson do Pandeiro e outros para dançar juntinho. Ele showman que aos 70 rebola e comanda todos no palco. Do bolso ele saca “Nos Barracos da Cidade” (Dia Dorim Noite Neon, 1985) em meio a todas as reviravoltas da virada, e “Punk da Periferia”(Extra, 1983) em que as letras escorriam pelos ouvidos contaminados pelo rolê zumbis da cracolândia.

 

Saída de metrô a direita para voltar para casa e a lembrança das palavras de Sérgio Vaz, que esteve na virada com sua Cooperifa. “São Paulo é uma mulher feia, e como toda feia trepa bem pra caralho”. As vezes acho que essa prefeitura se aproveita disso.

Faster é uma série de fotos de Maroesjka Lavigne

 

“Faster”, o ensaio fotográfico, aparece conectado ao texto abaixo, de Margaret Atwood, na página da fotografa

“Walking was not fast enough, so we ran.
Running was not fast enough, so we galloped.
Galloping was not fast enough, so we sailed.
Sailing was not fast enough, so we rolled merrily along on the long metal tracks.
Long metal tracks were not fast enough, so we drove.
Driving was not fast enough, so we flew.
Flying isn’t fast enough, not fast enough for us.
We want to get there faster.”

Margaret Atwood, The tent

Quando el compadre Alexandre Matias convidou essa que vos escreve para participar do VinteDoze, programa bacanudo que ele pilota com Ronaldo Evangelista desde os tempos do VinteDez, comichão passou pelo corpo e fui procurar um saquinho para respirar e acalmar.

Matias trabalhou na criação do Urbano, programa que apresentei durante 4 anos no Multishow, e é uma das mentes mais interessantes/interessadas dos/nos tempos de internê. Ronaldo veio através de deliciosas mixtapes que ele montava para seu Baile Veneno, e desde que acompanho os vinteetantos conheci um excelente contador de estórias.

O resultado? Abaixo:

 

A gravação foi uma delícia e tirando a parte em que o álcool sobe à cabeça e começo a misturar os assuntos, tá tudo bem. Mas, enfim, o componente etílico faz parte também.

 

 

Existe a escola de documentários que pressupõe o documentarista como um objeto em cena, sem intervir em nada, enquanto a linha de Eduardo Coutinho é aquela que não nega a existência do interlocutor entre câmera e aquele que está a frente dela.

Além de ouví-lo fazendo perguntas e  comentários, há o charme dele tossindo durante “As Canções”, seu último projeto, de 2011, ainda em cartaz nos cinemas.

18 personagens recorrem a canções para contar momentos marcantes da sua vida. Estórias de amor, de boas e más recordações, em sua maioria. Como é comum na filmografia dele, os personagens são muito bem escolhidos: Queimado, malandro que canta Jorge Ben, é um dos meus favoritos. São tantas as senhoras incríveis que não recordarei o nome, mas somente a expressão que uma delas usou: “cafetão de um real”.

diferentes plataformas, artistas interessantes

Daehyun Kim

 

 

 

 

Benjamin Murphy

 

  Tviga é russa e além de documentar a floresta em fotos, pesquisa e grava os sons locais. Lindo

Já tinha ouvido falar de “O Amante”,  o filme, quando encontrei o livro, envolto numa cinta PB com uma foto do chinês e da menina.


da autora Marguerite Duras, confesso conhecia pouco. Agora quero ler tudo. Sua escrita é tão contundente que parece  atravessar a retina do leitor e escorrer por dentro do cérebro, impregnando o corpo. Fazia tempo que um livro não me dava torpor e calafrios.

Muito de suas obras tem referências autobiográficas, assim a infância vivida na Indochina francesa é pano de fundo para essa e outras estórias.

“O Amante” traz uma adolescente de quinze anos e meio crescendo em Saigon, com chapéu e sapato de salto alto de lamê dourado, que torna-se amante de um chinês de Cholen.

Suas reflexões são o ponto alto do livro, a maneira como ela descreve sensações, pensamentos e reações das pessoas do vilarejo, de sua família e do próprio amante.

A narrativa é fragmentada, sem cronologia, misturando de fatos e pensamentos. Escrito em 1984, é um livro pequeno, de 83 páginas, que faz com que o leitor comece a economizar as páginas para a experiência durar mais.

Era 1999 e fomos surpreendidos com a estória que ícones e  bandas de rap que gostávamos tocariam na cidade. Afrika Bambaata, GrandMaster Flash, De La Soul, Common, Jungle Brothers, Dj Spooky, todos no recém-criado festival DuLoco. Cruzar a cidade para chegar ao Sesc Belenzinho era um rolê, incluia se perder, descobrir o ponto de encontro ideal, e ficava fácil porque a oportunidade de ver um show desses era escassa. Antes do rap ser o novo rock, darling dos festivais e da MTV, o som enchia salões nos 4 cantos da cidade, mas encontrava apenas quem ia procurar.

Corta para 2011. Dezembro entrega sempre o presente antecipado: Duloko virou Indie Hip Hop, trouxe Jurassic 5, Talib Kwelli, Hieroglyphics, Blackalicious, Mos Def, abriu espaço para Kamau, Projeto Manada, Elo da Corrente, Black Alien & Speed, Simples, Espião, Max B.O entre outros.  Ano passado a galera que idealizou e produziu os dois festivais criou Batuque, uma continuação da trajetória, como explicou por email Rodrigo “Gorila Urbano, Mamelo Sound, P-Funk” Brandão, um dos agitadores da estória toda:

“(…) O ciclo tinha se encerrado. Ainda tava no ar a necessidade de seguir em frente c/ a missão de levar música boa, c/ estrutura digna e ingressos a preços populares pra quem gosta. Aí surgiu a idéia de ampliar a gama de estilos sem excluir o rap, pois é isso q eu sou, seria impossível deixar de fora. (…) O Indie virou uma marca forte, as pessoas estavam indo por conta da tradição ao invés da música e isso vai contra a nossa  busca. Claro q a intenção é lotar o evento mas trazer quem ama o som é a prioridade. Ter o salão lotado de gente vazia é tiro no pé a longo prazo, sabe?”

Nesse 11 de dezembro, o destino foi o Sesc Santo André ( mais fácil que o Belenzinho, acredite). No palco Q-Tip, a voz anasalada que marcou os tímpanos de quem sacudiu com A Tribe Called Quest. Com a proposta de espectro sonoro ampliada, a primeira noite teve Gui Amabis e seu lindo “Memórias Luso/Africanas”, seguido de Criolo, e Prince Paul no intervalos entre os shows. Ele também se apresentou no domingo, só que entre Bixiga 70, Don Cesão e Ogi.

Q-Tip subiu ao palco acompanhado por baixo, guitarra, bateria e toca-discos, e isso faz toda a diferença num show de rap. Além da música reverberar de outra maneira no corpo, a banda faz o alicerce para que o MC verse, cante, dê vazão ao showman que é inerente a esse tipo de intérprete, tão próprio da virada do XX-XXI. Q-TIp trouxe ao palco a bagagem que a música e a história do hip hop norte-americano carregam. Dançou, homenageou MJ, chamou moleque (fofo) para dançar no palco, fez piada, desceu para a platéia, enfim, foi o cara.

“Ele é um ícone fundamental quando o assunto é batuque digital, tanto pelo lado de pesquisador de vinil nerd (todo o tempo livre dele aqui foi passado em meio a pilhas de discos), quanto produtor e MC. É um dos caras q mais amplia as fronteiras do rap desde q apareceu, tanto nos álbuns do A Tribe quanto nas parcerias, q vão de Deee-Lite a Stevie Wonder, passando por Mark Ronson, Beastie Boys, Janet Jackson, Capleton e Speranza Spalding.” explica Rodrigo.

Quem gosta do gênero sabe que dificilmente os caras vem se apresentar com banda por aqui, porque é muito mais barato trazer combo MC+DJ do que a gangue e seus instrumentos. No retrospecto mental lembro do show do The Roots, do Mos Def na saideira do Indie, do Beastie Boys (a banda é mais rock q rap mas…), Snoop apenas agora no SWU. Aloe Blacc e Mayer Hawthorne fizeram a preza recentemente, mas assim como D’Angelo naquele distante Free Jazz, são discípulos do R&B, inexistente sem banda. Do time da casa, Criolo é um dos poucos que sobe ao palco acompanhado por músicos, e Marcelo D2 carrega a herança dos tempos de Planet, que tinha essa pegada lá atrás misturando rap e rock. Se alguém lembrar de mais shows, avise, porque a minha memória é uma porcaria. (atualização: alguém lembrou de Racionais tocando com banda. perdi esse)

Além de apresentar músicas de sua carreira solo, Q-Tip enfileirou A Tribe Called Quest: Bonita Applebum, Electric Relaxation, Scenario, e com o jogo já ganho, Can I Kick it?, Check the Rhyme. E eu, enquanto equilibrava lágrimas, agradecia pelo melhor show de 2011.

E agora, Brandão, como é que vocês vão fazer?
“Vai ser um trampo difícil manter o nível no ano q vem, de tão formoso q foi tudo: os artistas brasileiros, o clima da platéia, o set do Prince Paul, e claro, o show matador do Q-Tip!”

aguardo ansiosa o presente que vem em 2012. Longa vida ao Batuque.

2afeira a equipe do Koni Store convidou uma turma para provar o novo cardápio de verão, chamado Gurumê Summer, e eu com minha paixão pelas delícias orientais fui uma das convidadas.

A linha é criada por Adriano Hanashiro (responsável pelo Kinu, japa do Grand Hyatt, agora abriu o Momotaro, seu próprio restaurante) e inclui uramakis, tempura, temakis e saladas, novidade na rede. A de Camarão e Quinua levou meu estômago e coração. Aliás, a dupla camarão e Quinua aparece também em versão koni com pepino e cenoura. Nice.

Comidinhas leves, que não pesam no calor são a tônica do cardápio que ainda conta com uma salada de frango com gergelim e manga, um Koni de salmão com shiitaki, wasabi e gergelim.

Uma vez escrevi para a revista Trip que o temaki poderia roubar o lugar do pastel no coração dos paulistanos, pela praticidade – a gente adora uma comida rápida e para ser devorada com as mãos – e também pelos ingredientes. Com o calor do verão, essa tomada de poder pode acontecer a qualquer momento.

 

 

fotinho que roubei do site do Koni :P

@nilda

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