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Conheci Dj Nyack na gravação do novo programa de TV que estou fazendo – conto mais sobre o programa em breve – e caímos num papo sobre música…assunto vai, assunto vem e ele conta que outra noite, numa festa que faz às 4afeiras no Sarajevo – a Discopédia – encerrou seu set com um bom pagode tocado no vinil.
Começamos a conversar sobre pagode e o quanto essas músicas estão impregnadas no inconsciente, que muitas vezes a gente não faz idéia da música ou do autor, mas todo mundo sai cantando junto. Nas palavras dele “todo mundo tinha pelo menos cinco músicas que sabia cantar”. Esse foi um dos motivos para fazer seu primeiro mixtape de pagode, o PagoTape, que ele gravou em dezembro de 2010 (não consegui achar, posta ela de novo, Nyack!), e a inspiração foi justamente a nostalgia da adolescência. A memória afetiva que o ritmo traz – ele cresceu nos anos 90, época em que o pagode era onipresente nas rádios, tvs e em qualquer mídia nacional – é grande: “ao ouvir você lembra até das vinhetas da rádio que os caras soltavam em cima da música”.
A primeira PagoTape fez tanto sucesso que chegou a ser postada no Twitter do Netinho e do Péricles.
Dois anos depois ele se animou a fazer uma segunda PagoTape (amo o nome), postada em 30 de abril . As músicas são todas mixadas (aê DJ!), e já que tem muita gente emocionada com a participação do Raça Negra amanhã na Virada Cultural, sugiro um play no mix abaixo pro esquenta
UPDATE: atendendo a insistência dessa que vos escreve, Nyack mandou o link da primeira PagoTape! Sensacional!
“It’s nice to know that you’re still relevant after a long time”. Não acreditei quando o Gênio falou isso. ”Depois de fazer dois shows com ingressos esgotados, você sai do palco e chega no backstage e quer voltar. Não quero parar, quero voltar ao palco, quero versar, então abaixa a luz…” e começou a improvisar. Achei que fosse chorar. GZA, The Genius, nasceu Gary Grice no Brooklin, NY, EUA em 66. Um dos fundadores do Wu-Tang Clan, é um dos melhores letristas e MCs do rap americano.
Naquela noite de 5afeira, o Brooklin fervia hip hop: Kool Keith discotecava a poucas quadras de uma casa de show onde, em dois shows seguidos e lotados, GZA apresentou, acompanhado do Grupo Fantasma, ”Liquid Sword”, clássico disco de 95.

O público estava ansioso, rednecks do Queens, hypsters do Brooklin, hoodies de Manhattan, e nós (uma amiga e eu). Ela não é muito do rap mas já era local, viu camisetas penduradas na grade em frente ao show e falou “ó lá, é para pegar”. Eu esperei dez longos minutos para pegar a minha, procurando o ambulante, que, claro, não estava lá.
No show GZA enfileirou o Liquid Sword, homenageou Old Dirty Bastard cantando Shimmy Shimmy Ya (“tinha um camarada nosso que gostava de tudo e muito, se o assunto era mulher, ele ia da Brazilian Wax a Sandpaper Pussy…), chamou Raekwon ao palco para fazer músicas do Wu Tang Clan.
Pra quem estiver de viagem marcada para aquelas bandas, recomendo aquela olhada básica no site do Music Hall of Williamsburg, só coisa fina.
> do aúdio dos vídeos no meu canal do youtube, bem, entenda, fã que é fã tem que colar na caixa de som.
Uma pequena de cabelos cacheados e tutu de bailarina chama atenção na sala de embarque do vôo SP-NY. Linda, ela desenha e sorri. Quando reparei na mãe ao lado dela, era Céu.
Papo vai, papo vem, ela começando uma turnê bacana, 23 dias por 13 cidades nos EUA. Viajando de busão, estrada e música. ”Você quer ir ao show?”
Domingo dia 10, abertura do Blue Note Jazz Festival no Highline Ballroom , casa de shows ao lado do novo parque da cidade, High Line, inaugurado em 2009 e construído em cima da linha do trem.

Curumin abriu os trabalhos naquela noite, e o fará em toda a turnê, esquentando a pista que enchia progressivamente, alguns já arriscavam até uma mexida de ombros. Dançar não é coisa de gringo.
Antes de Céu entrar no palco o lugar estava cheio de americanos, japoneses, latinos e claro, brasileiros.
Foi grande sorte assistir aqui ao show de ”Caravana Sereia Bloom“, seu terceiro disco recém-lançado. Jogar fora de casa exige do time, e ela não se intimidou com isso. Ao contrário, estava à vontade no palco e no inglês, contando estórias do disco e de sua ligação com a cidade. Foi quando morou em NY que tomou coragem para começar a compor.
Céu convida o público a percorrer uma jornada ao ouvir o repertório do disco. Ela é dona do palco e da platéia, mas é também uma artista generosa que oferece uma tremenda experiência. Céu entrega e envolve o público em um turbilhão de voz corpo e alma, tudo misturado saindo da garganta, que hora é usada para atingir uma nota alta, hora apenas para soltar um suspiro. Aliás, que suspiro, um dos grandes momentos do show, daqueles que parecem que o tempo parou.
Quando Céu trouxe “Piel Canela”, música de Eydie Gorme & Trio Los Panchos, ela parou num momento da música e deixou a platéia estatelada, de queixo caído. Nessa hora chamou a atenção para o backing vocal a la Panchos que a banda fazia. Lucas Martins no baixo, Bruno Buarque na bateria, Dustan Gallas na guitarra e Dj Marco na MPC e nas pick ups. Lucas e Dustan, além de backing, brincam na bateria com Bruno quando voltam para o bis. Um time entrosado no palco ajuda na hora do gol.
O repertório do show é composto pelas músicas de “Caravana…”, acompanhadas por “Cangote”, do segundo album, “Vagarosa”, em versão demi-eletro-forró. “Malemolência”, “Ave Cruz” e “Lenda”, do primeiro disco homônimo, também aparecem de cara nova. E ao trazer ao palco “É preciso dar um jeito meu amigo”, cover de Erasmo Carlos, ela conta bonito sua estória com a música.
Acompanhar o amadurecimento da cantora Céu é um privilégio.
Ele é brasileiro como dizem, e ela, nossa.
Infos:
(minha amiga altamente concentrada do outro lado da linha)
Descemos a estação rindo a noite, continuando a conversa, cada uma do seu lado da linha. Comentando os fatos, concentrando pro álcool não sair. O trem dela chegou e ela foi. Eu fiquei. Ele chegou e sentou. Flores por perto. A gente se olhou separado pelos trilhos, a cumplicidade de quem vê diante de seus olhos o impossível e ri. Ele e eu, eu e ele, os mesmos fones brancos. Eu brinco com minha música nos ouvidos e pés, ele acompanha com as dele, as cabeças balançam com sorrisos que vem das orelhas, do que ecoa dentro dela, música e pensamentos.
Meu trem ameaça chegar e a gente volta a se olhar, entro no vagão. De fora, da sua plataforma, ele sorri. Encosto na porta oposta ao embarque pra garantir uma despedida, a música é boa e me acolhe. Ele olha, eu olho. Sorrio, sorri. O trem começa a se mover, nos despedimos, eu aceno cabeça, ele sinal de mão.
O túnel fica escuro.
mesinhas na calçada perfeitas para um vinho durante a tarde.
No menu: charcutaria, queijos e homus, babaganuche, patê de azeitonas. Estados Unidos tem dessa mistura de possibilidades no cardápio. Mas o restô também serve tartar de peixe, salada e outras cositas.
pra praticar o flaneur sem compromisso
Wine And Roses - 286 Columbus Avenue
festa que aconteceu em “June 12, 1971 at Klein’s”.
John Lennon e Miles Davis convidados.
Um fusca, Yoko, Betty, tabela de basquete (vinte e um) aos 5’13″.
Tem um tal de Warhol dando pinta no vídeo também.
Super 8 tosca e linda.
(we all shine all.)
Mais vídeos bacanas para a 2afeira:
- The Doors, ao vivo em 1970
” – você vai na Virada?
- Ah, eu não consigo, acho que é corroborar com essa prefeitura e esse governo que são toscos, que largaram a cidade. É comprar o discurso deles de que tudo está bem quando na verdade não está. Fora que eles exploram ao máximo quem trabalha, ouvi dizer inclusive que segurança e limpeza tem que trabalhar um turno de 24hs direto…. “
e foi com essa conversa com uma amiga na última 5afeira que comecei a pensar em não virar esse ano.
Gosto de festa na rua mas esse ano estava especialmente preguiçosa. Acabou que a virada começou na varanda de casa.
A amiga foi visionária e acertou sobre a prefeitura apresentar uma situação que não sustenta. Fazer festa sem organizá-la direito dá pau seja no salão do prédio ou no centro da cidade. O problema não é xixi na rua ou gente bêbada, porque festa de rua aqui, em Paris ou em qualquer lugar acontece a mesma coisa. O problema é não dar estrutura para quem trabalha ou quem curte o evento.
Acordei no domingo e mesmo com a estória da galinha depenada - e eu que só queria saber da sopa de cebola do Jacquin, fiquei sem notícias – juntei-me a uma turma para tentar nas barraquinhas de chefs no Minhocão e quem sabe assistir alguma coisa. A parte gastronômica foi, em todos os horários, a melhor idéia mal realizada do evento.
Primeiro porque o acesso ao local dificulta o abastecimento das barracas. Depois porque o espaço é pequeno o que promove a concentração, os esbarrões, as filas e o tamanho reduzido das barracas. E terceiro, depois do Mercado, ficou claro que além de comida de rua ser um amor do paulistano, eventos com boa comida e preços camaradas atraem muito público.
Tenho que isso reflete também a falta de paciência e verba pra custear almoço de muitos reais todo dia, ninguém mais aguenta pagar caro sempre que quer comer. Mas voltemos a festa…
Lotação, filas e sushi no sol fizeram a gente fugir e cair pro Sujinho da Rio Branco. O caminho era composto por bons ecos de shows que aconteciam no horário. A deprê pela cidade largada e pela Rua dos Gusmões e Guaianeses e seus mortos vivos continua, mas acho interessante sempre essa convivência.
Depois de uma farta refeição no Sujinho da Rio Branco, que agora aceita cartões (!!!), seguimos em direção a Julio Prestes. Na 6afeira já sabia que nem Toots & Maytals nem Abyssinians se apresentariam e que chamaram o Rockers Control + Dubversão para tocar no lugar.
Foi delícia. No caminho o sol esquentava e prometia um belo fim de tarde. Chegar na Julio Prestes e sentir o clima “in a dubwise style” fizeram-me pensar na sorte da prefeitura em governar essa cidade. O sorriso das pessoas, crianças correndo, gente dançando, pastel e caldo de cana, a pelada acontecendo na área que se formou da ex-cracolândia demolida faziam acreditar numa cidade possível.
Brother Culture, MC inglês e parte da família RC , teve sua passagem emitida na 5afeira, voou sábado depois de se apresentar em Londres na 6afeira, chegou domingo de manhã, foi pra rua se juntar ao Dubversão e a tarde on stage de novo pro Rockers. Saúde e disposição musical a gente vê por aqui.
Ficamos ali até Gil encerrar a festa. Show delicioso com seus clássicos (Realce, Palco, Andar com Fé), ele de crooner de Bob Marley (No Woman no Cry e Is This Love) e forrós de Jackson do Pandeiro e outros para dançar juntinho. Ele showman que aos 70 rebola e comanda todos no palco. Do bolso ele saca “Nos Barracos da Cidade” (Dia Dorim Noite Neon, 1985) em meio a todas as reviravoltas da virada, e “Punk da Periferia”(Extra, 1983) em que as letras escorriam pelos ouvidos contaminados pelo rolê zumbis da cracolândia.
Saída de metrô a direita para voltar para casa e a lembrança das palavras de Sérgio Vaz, que esteve na virada com sua Cooperifa. “São Paulo é uma mulher feia, e como toda feia trepa bem pra caralho”. As vezes acho que essa prefeitura se aproveita disso.
Faster é uma série de fotos de Maroesjka Lavigne
“Faster”, o ensaio fotográfico, aparece conectado ao texto abaixo, de Margaret Atwood, na página da fotografa
“Walking was not fast enough, so we ran.
Running was not fast enough, so we galloped.
Galloping was not fast enough, so we sailed.
Sailing was not fast enough, so we rolled merrily along on the long metal tracks.
Long metal tracks were not fast enough, so we drove.
Driving was not fast enough, so we flew.
Flying isn’t fast enough, not fast enough for us.
We want to get there faster.”
Margaret Atwood, The tent
Quando el compadre Alexandre Matias convidou essa que vos escreve para participar do VinteDoze, programa bacanudo que ele pilota com Ronaldo Evangelista desde os tempos do VinteDez, comichão passou pelo corpo e fui procurar um saquinho para respirar e acalmar.
Matias trabalhou na criação do Urbano, programa que apresentei durante 4 anos no Multishow, e é uma das mentes mais interessantes/interessadas dos/nos tempos de internê. Ronaldo veio através de deliciosas mixtapes que ele montava para seu Baile Veneno, e desde que acompanho os vinteetantos conheci um excelente contador de estórias.
O resultado? Abaixo:
A gravação foi uma delícia e tirando a parte em que o álcool sobe à cabeça e começo a misturar os assuntos, tá tudo bem. Mas, enfim, o componente etílico faz parte também.

























