Para onde foram as andorinhas?

Para quem mede o tempo de uma outra maneira, descrever a mudança do clima baseia-se em pássaros, insetos, em como crescem as frutas. Os índios do Parque Xingu que sentiam-se ameaçados pelo desmatamento na cabeceira do rio, tem no fogo uma nova ameaça.

“Para Onde Foram as Andorinhas?” é dirigido por Mari Corrêa, produzido pelo Instituto Catitu em parceria com o ISA. Exibido na COP 21, o curta é um material delicado e  importante de assistir.

Conheci recentemente quando trabalhei no lançamento aqui em SP. Para saber mais do ISA, respeitada organização de antropólogos que atua junto aos povos indígenas, as causas ambientais e a comunidades tradicionais do Brasil, pra saber mais  www.socioambiental.org.

 

Cine Drive In: Coração Satânico.

“Domingo vou ao Drive-in, assistir Coração Satânico.”
“Mas você não tinha vendido o carro?”

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Coração Satânico, filme de 1987 dirigido por Alan Parker, era desejo antigo, do tipo preciso-ver-antes-de-morrer. A oportunidade da tela grande era preciosa, e assistir durante o dia parecia o mais sábio a fazer, já que o filme promete medo e susto, e sair andando pela cidade à noite depois de um filme desses, nem à pau.

A sala recém inaugurada, fruto da parceria do Cine Belas Artes com o grupo Vegas, oferece uma variedade de atrações: poltronas de carros antigos ocupando as primeiras fileiras, o bar-restaurante do Riviera com sanduíches, petiscos e drinks para serem consumidos durante o filme, e um cardápio de filmes interessante.

O charme de assistir um filme e namorar no carro mantém seu elan na sala de cinema: a maioria dos bancos de automóveis era ocupada por casais abraçados. Na hora de comprar o ingresso, se escolher a opção dos assentos antigos, garanta os dois lugares da poltrona para não ganhar a companhia de um estranho.

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A sala oferece cadeiras de cinema convencional e bancos altos dispostos no fundo, em um balcão. Comer é parte importante da programação, e o timing da  sessão leva em conta todo esse  “pedir, pegar, comer, limpar “.

São uns quarenta minutos até o filme começar, divididos entre desenhos e clipes e com promessa de que curtas, loucuras de internet e outras experiências audiovisuais devem ocupar esse espaço pré-filme futuramente, como indicou Facundo Guerra.

A ida ao cinema foi acompanhada da fome avassaladora: três da tarde e zero almoço. Ao fundo da sala, no lado oposto da tela, estava a iluminada janela seguindo o padrão norte-americano de lanchonete. Nesse dia deu pau no caixa e os atendentes tiraram pedido na mão. A falta de jeito para organizar a fila parecia fruto do primeiro fim de semana de funcionamento.

Pedido feito, foi entregue um disco que avisa quando tudo está pronto. Antes da Sade entoar “Smooth Operator”, segunda atração pré-filme,  hot dog, sanduíche vegetariano, polenta com alecrim e batata frita estavam disponíveis para consumo.

A bandeja é mais funda que o normal “para evitar que você se suje, caso algo caia”, esclarece Facundo “e os pratos são pensados para caber nelas perfeitamente”.

 

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Tudo equilibrado no colo, não seria ideal ter uma mesa? “Pensamos nisso. A mesa fixa impede o fluxo das pessoas entre as cadeiras – não dá para levantar e ir pegar mais um drink, ou ir ao banheiro e voltar sem um potencial alto de derrubar coisas e ter uma catástrofe.” explicou o dono do projeto.

Comer com a bandeja no colo é possível, mas desejei um carrinho bandeja ou uma mesa acoplada na poltrona da frente para facilitar a vida.

A poltrona funciona bem, o corpo se esparrama por causa da inclinação e espaço das poltronas. A tela é mais alta que a convencional para compensar a ausência de degraus da sala. O banco em frente parecia mais alto que os demais. Seria um problema do Dodge ter o banco alto? Por que ele estava no meio da sala então? Por que a cabeça do serumano em frente tapava mais que a legenda?

Debatendo com Facundo ao telefone, ele pergunta “Você ficou no banco vermelho e branco?” ”Esse era o banco que estava a minha frente.” Ele explica que todos os bancos tem uma inclinação de seis graus e que o ~maldito ~ banco vermelho não tinha sido angulado , que isso ia acontecer naquela segunda feira.

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Um beco de nova York, um gato, um cachorro, um corpo. Assim começa ” Angel’s Heart”, trocadilho com o nome do protagonista Harry Angel e a palavra anjo. No Brasil foi batizado Coração Satânico. O filme é estrelado por Mickey Rourke, na época embalado pelo sucesso de “9 1/2 semanas de amor” e “O selvagem da motocicleta”. Ele é o detetive particular que recebe a missão de encontrar um cantor desaparecido e que se vê envolvido em mortes estranhas. A trilha que o leva ao interior dos Estados Unidos vai sendo pontuada por algo sobrenatural. E seu cliente é interpretado por Robert De Niro.

Se você não assistiu ao filme, recomendo. As cores, os detalhes e enquadramentos que revelam segredos da história sem que quem assista perceba. E a tensão permanece, e você quer saber se o que desconfia procede.

Os anos 50 vistos através dos anos 80, os efeitos especiais que hoje parecem engraçados, tudo explicita a ingenuidade do mundo pré-globalizado.

Com uma programação repleta de filmes cult, o Drive-in resgata o naif perdido pelo ultraconectado mundo contemporâneo. A sala deve abrir espaço para filmes novos que façam parte de sagas cult, o foco se mantém naquelas películas que esquentam as memórias e o coração.

 

Ashes to Ashes

“So what are you going to say at my funeral now that you’ve killed me? Here lies the body of the love of my life whose heart I broke without a gun to my head. Here lies the mother of my children both living and dead. Rest in peace, my true love, who I took for granted.”

Beyoncée – Lemonade – Apathy

o amor é um buraco negro

ondas gravitacionais

 

“É o que aconteceu com dois buracos negros, de uma galáxia muito distante, que se fundiram há 1,3 bilhão de anos. Como se estivessem em uma dança, eles orbitavam um em torno do outro, se movendo aproximadamente a metade da velocidade da luz, sempre encurtando suas distâncias.”

Nexo jornal explicando a importância dos cientistas terem detectado pela primeira vez as ondas gravitacionais.

Troca “dois buracos negros” por pessoas e vê se não é uma boa definição de amor.